Unwritten Law
Acho que a partir de hoje vou estabelecer uma unwritten law aqui no blog, a exemplo da Lori Meyers.
Sempre que escrevo sobre sentimentos tenho a impressão de que tudo o que falo poderá ser usado contra mim.
Além disso, penso que escrever é uma atividade ingrata.
A partir do momento em que você escreve sobre um sentimento, ele não te pertence mais; deixa de ser seu e passa a ser de outras pessoas.
É como se nossos sentimentos fossem nossos filhos. E essa comparação me fez lembrar de alguns versos do célebre escritor libanês Khalil Gibran:
- Vossos filhos não são vossos filhos.
- São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
- Vêm através de vós, mas não de vós.
- E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Esse repúdio à libertação pública dos sentimentos é quase um egoísmo de mãe-coruja.
Por isso, como se fosse possível, fica decretado que não se fala mais de sentimentos nesse lugar.
E tenho dito!
Johnny Cash - You Are My Sunshine
Posted by Elder Martins | Filed under coisas da vida, literatura, teorias
2 Responses to “Unwritten Law”
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Silka Says:
março 23rd, 2008 at 19:32Digo que não sei escrever. No final das contas é exatamente isso que quero notar, que só escrevo sobre sentimentos. Escrevo sobre sentimentos e acabo sentindo mais do que o necessario, depois leio e acho tudo muito bobo. Queria ter coragem de parar de falar sobre mim, mas daí não escrevo mais.
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Thatá Says:
março 24th, 2008 at 19:12Sinto que escrever sobre sentimentos é uma das poucas maneiras que me fazem conhecer melhor e a fundo a pessoa que sou.
Há um tempo não escrevo mais sobre mim e meus sentimentos, convicções…e sem dúvida essa é a época que menos consegui perceber o que realmente se passa comigo…
Por muitos anos, não consegui me desvencilhar do diário. O que antes eram apenas historinhas de uma menina que pretendia ser delicada, logo passou a ser a reunião de relatos muito mais relevantes do que simplesmente a discussão de ‘fulano gosta de mim’.
Por causa do tempo, porém, os relatos foram ficando mensais, trimestrais, e hoje, não compro mais um caderno que sirva como diário. E nem escrevo pra mim.
Escrevo pros outros, sobre os outros.
Eu? Estou em segundo plano ultimamente.
Às vezes, um relato ou outro, só pra matar a saudade. E, claro, as releituras de alguns deles no final do ano.Por enquanto, estou sem tempo pra mim.
Páginas em branco.











