na minha a tua ferida
essa a vida que eu quero,
querida
encostar na minha
a tua ferida
(Paulo Leminski)
Love Is a Losing Game
Li primeiro no Crônico, mas lendo novamente no blog da vivstiemi fiquei pensando…
Existem coisas que só fazem sentido depois de vividas certas experiências.
Não existe investimento seguro. Amar é ser vulnerável. Ame qualquer coisa e seu coração irá certamente ser espremido e possivelmente partido. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, não deve dá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Evite todos os envolvimentos, feche-o com segurança no esquife ou no caixão do seu egoísmo. Mas nesse esquife seguro, sombrio, imóvel, sufocante ele irá mudar: não será quebrado, mas vai se tornar inquebrável, impenetrável, irredimível. O único lugar fora do Céu onde você pode se manter perfeitamente seguro contra todos os perigos e perturbações do amor é o Inferno.
C.S. Lewis
Sobre Perguntas e Respostas
Uma coisa que sempre me incomodou (e continua incomodando) é o modo binário de pensar ao qual fomos formatados desde a infância. É ou não é, está ou não está, existe ou não existe.
As pessoas que se salvam da maldição dualista são aquelas que, como Shakespeare, percebem que existe muito mais coisas entre o céu e a terra do que imagina a nossa vã filosofia. E aí entra o grande desafio: ver além do visível.
É engraçado perceber que num sentido físico, nossos aparatos são ao mesmo tempo recursos e limitadores de compreensão.
Sobre finais felizes
Diz a lenda que todo mundo gosta de final feliz. Mas minha mãe sempre dizia que eu não sou todo mundo, e quem sabe ela estava certa, porque eu odeio finais felizes. Eles são mentirosos.
O final feliz é o jeito mais brega de se terminar uma narrativa. Nada na vida se parece com isso.
Ás vezes penso que Shakespeare é gênio pelo simples fato de dar um desfecho sempre trágico às histórias.
Foram sempre os finais tristes que me ensinaram mais sobre a vida. É aquela catarse de quando você termina um livro e fica olhando pro infinito, pensando no que ele se encaixa com a sua vida.
Qualquer Lugar
Logo ao primeiro canto do galo Seu Benedito colocou os pés no chão, primeiro o esquerdo, depois o direito.
Sentado na cama calçou suas pantufas, tateou no criado-mudo seus óculos de aro e lentes grossas, colocou a cordinha ao redor do pescoço e levantou-se.
Enquanto comia um pão dormido, seu velho radinho Philips, sintonizado numa rádio AM qualquer, rasgava o imperioso silêncio da manhã.
Tão logo terminou de comer, limpou os farelos na camisa, colocou o jornal debaixo do braço e saiu de casa, assobiando um velho samba de Cartola.











